Senado aprova indicação de Christian de Castro para a Ancine

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (19), em plenário, a indicação de Christian de Castro Oliveira para a diretoria da Agência Nacional do Cinema (Ancine), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC). O nome de Castro já havia sido ratificado, no último dia 10 de outubro, após sabatina, pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte da Casa. O novo diretor ocupará, por quatro anos, a vaga decorrente do fim do mandato de Manoel Rangel Neto.
Há 18 anos no mercado do audiovisual, Christian de Castro foi sócio de consultoria especializada em economia criativa, empreendedorismo e capital de investimento no desenvolvimento de serviços relacionados à modelagem de negócios, estruturação financeira, planejamento estratégico, desenvolvimento de projetos e gestão para empresas, especialmente para o setor de entretenimento, mídia e audiovisual.
Na vida acadêmica, cursou Engenharia Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e é graduado em Engenharia de Produção Mecânica pela Universidade Paulista (Unip). É pós-graduado em Film & Television Business pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Propostas
Durante a sabatina realizada na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, Christian de Castro afirmou que pautará sua atuação na Ancine em quatro pilares. O primeiro é o papel da agência e sua mediação com o MinC, atuando em parceria com a secretaria do Audiovisual, o Conselho Superior de Cinema e o Comitê gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), entre outros, contribuindo para o desenvolvimento de políticas públicas para o setor. O segundo ponto é a desburocratização, de modo a buscar mais eficiência e eficácia em tudo o que a agência realiza. O terceiro pilar é a sustentabilidade, o equilíbrio e o desenvolvimento do mercado para fortalecer toda a cadeia de produção do setor audiovisual. E o quarto ponto é a regionalização da produção dos conteúdos audiovisuais, para criar um ambiente mais equilibrado e sustentável entre todas as regiões do País.
Castro também ressaltou que há grande preocupação com a pirataria digital. “É preciso que haja um esforço conjunto do MinC com as três esferas de governo no combate efetivo a essa pirataria, por meio de ações tecnológicas e repressivas, além de trabalhar a educação e a conscientização do público sobre o ônus causado pela pirataria no nosso mercado”, afirmou. O MinC criou recentemente um Grupo de Trabalho voltado exatamente para o combate à pirataria, cuja primeira reunião foi realizada neste mês de outubro.
Outro tema ressaltado por Castro durante a sabatina foi a importância da renovação da Lei do Audiovisual e do Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica  (Recine). Segundo ele, o Brasil saiu de 1,6 mil para 3 mil salas de cinema com o Recine. No entanto, o retrato ainda é de apenas uma sala para cada 80 mil habitantes, enquanto na Argentina essa proporção é de uma para cada 40 mil e, no México, de uma para cada 30 mil. “Temos um buraco enorme para cobrir”, observou.
Christian de Castro também destacou que, apesar da crise financeira, o setor de audiovisual vive um cenário de crescimento de 9% ao ano, impulsionado, especialmente, pelas obras seriadas e não seriadas de TV e pelo aumento do cinema nacional nas telas.
Desde a criação da Ancine, o setor audiovisual teve crescimento em vários indicadores: foram 143 filmes produzidos em 2017, ante apenas 29 em 2001. A participação de filmes brasileiros passou de 8% para 14%, com 190 milhões de ingressos vendidos em 2016, ante 91 milhões em 2001. No mesmo período, o número de assinantes de TV por assinatura passou de 3 milhões para 19 milhões, os usuários de banda larga, de 2 milhões para 165 milhões, e o de produções brasileiras exibidas na TV paga, de 192 para 3,2 mil.
“Os números são muito relevantes e isso é demonstrado na participação do audiovisual brasileiro no PIB (Produto Interno Bruto), que chegou em 2016 a 0,46% do (PIB) nacional, maior que o da indústria farmacêutica”, afirmou.
 

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